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Mentori Conti, Bacharel em Ciências Jurïdicas e Sociais, advogado militante. email:mentoreconti@hotmail.com |
O TECIDO SOCIALNo número 15 da edição impressa da Revista Ranking Social, tive a oportunidade de falar sobre nosso comportamento em relação ao consumismo e a valorização que fazemos de questões que poderiam estar em segundo plano. Abordemos agora um outro problema, que de certa forma é paralelo àqueles. Atualmente notamos um abandono geral em respeito aos valores fundamentais de uma sociedade, ou seja, dos Folkways e dos Mores que são normas muito antigas que definem a maneira certa e aceita de fazer as coisas, e que adquiriram a autoridade da tradição à medida que foram passando de uma geração para outra(1).
Psicologicamente se o sistema de valores de um indivíduo é alterado, influenciado, pode-se influenciar na organização de sua personalidade e influir no seu padrão de pensamento(2). Portanto estes problemas que citamos vão gerar com o passar do tempo um rompimento do tecido social, fortalecendo grupos sociais menores, que tem e adquirem muitas vezes valores completamente inversos à sociedade como um todo, a exemplo dos Ultras e Skinheades. Notamos concomitantemente a isto que parte da população está agindo hoje em sociedade sem as características de ter uma personalidade definida, agindo como um indivíduo na multidão, perdendo assim a noção de uma privacidade e deixando de apresentar os traços de seu caráter, gerando um certo modo de “desindividuação”, ou seja, um comportamento onde a pessoa perde sua individualidade. Quando um indivíduo age em processo de “desindividuação”, se sente um anônimo, perdendo qualquer sentimento de responsabilidade individual. Este tipo de atitude pode gerar uma falta de repressão, sem uma perda de identidade, ou seja, o individuo mesmo, não deixando de se entender como pessoa que é, apresenta, na desindividuação, uma falta de repressão de suas atitudes, como nos ensina Michael Argyle, na obra A Interação Social(3). Vemos cada vez mais uma falta de respeito que cada pessoa tem com ela mesma, perdendo o sentimento de responsabilidade individual, se expondo em programas televisivos, em troca de uma maquiagem ou de uma fama efêmera como nos reality shows, que lembram o filme The Truman Show (EUA) distribuído em 1998 pela Paramount Pictures / UIP, dirigido por Peter Weir, tendo no elenco Jim Carrey, Laura Linney, Natasha McElhone e Ed Harris e outros. Este filme narra a vida do Corretor de seguros Truman Burbank, que descobre que vivia uma vida irreal e era vigiado por uma emissora de televisão e que a partir deste ponto luta para libertar-se de tal situação. Na sociedade contemporânea, contudo, os personagens destes programas e muitos indivíduos, não lutam para se libertar, como o personagem do filme, mas se afundam cada vez mais, com míseras frases, desprovidas de qualquer valor cultural ou artístico, criando e fomentando parte do caos em que vivemos. (1) John Biesanz, Malvis Biesanz e Thomas Ford Holt na obra Introdução à Ciência Social, Editora da Universidade de São Paulo. (2)Fundamentos de psicologia Werner Wolff, editora Mestre Jou, 1969. (3)Zahar Editores, 1976, pág. 443 |
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